writing.


Escrever ajuda, escrever ajuda-me. Mas ajuda ainda mais quando dirigido a alguém, quando esse alguém lê e chega àquilo que queríamos que essa pessoa chegasse, quando essa pessoa compreende e atinge o nosso ponto. Quando se trata de assuntos gerais acaba por ser mais um desabafo. Têm o seu valor porque nos tranquilizam e nos deixam mais leves, mas nunca é o mesmo de quando dirigido a alguém. Escrever para alguém é quase como falar com alguém. E quando esse alguém lê, é como se ele nos ouvisse. A escrita existe para ser lida e compreendida. Se não nos sentimos compreendidos acaba por não ter sentido. Escrever, por si só, nunca é completo. Não para mim. Às vezes nem preciso escrever, preciso só pensar, imaginar as coisas e formular as frases na minha cabeça. Pensar naquilo que queremos dizer ou naquilo que sentimos ajuda. Os pensamentos são só nossos. Se os partilhamos ou não, depende de nós. Mas quando admitidos por nós, já são uma vitória. Até porque os pensamentos são o reflexo dos nossos sentimentos. Às vezes não precisa ser algo material pois os sentimentos são abstractos. Mas depois há aquela vontade de rever tudo, voltar a pensar naquilo por que passámos e não há nada, há só memórias, e por vezes escassas... Não há um guia. Para mim, a escrita é isso mesmo, um guia. Uma recordação de uma memória passada, de um sentimento sentido. A escrita ajuda-me a pôr os meus pensamentos em ordem. Ajuda-me a organizar o que vai dentro de mim. A escrita concretiza-me, de certa forma.

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